Trump compara policial que deu 7 tiros em Jacob Blake com jogador de golfe que 'engasga' ao dar uma tacada

Redação Por: Redação

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Publicado em 02/09/2020 12:59h

Trump compara policial que deu 7 tiros em Jacob Blake com jogador de golfe que 'engasga' ao dar uma tacada

Donald Trump, presidente dos EUA, visita nesta terça-feira (1º) local onde manifestantes fizeram piquetes durante protestos em Kenosha — Foto: Leah Millis/Reuters

Presidente dos EUA condenou a violência nos atos contra o racismo em visita a cidade no estado de Wisconsin; 'Terrorismo doméstico', disse Trump sobre as cenas de tumulto.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  comparou o policial que deu 7 tiros em Jacob Blake com um jogador de golfe que "engasga" ao dar uma tacada. Trump fez a analogia em entrevista coletiva nesta terça-feira (1º), durante sua visita a Kenosha, no Wisconsin, cenário de protestos antirracistas e contra a violência policial.

"Tem, sim, alguma maçã podre, mas a gente sabe que o sistema cuida dessas pessoas. Ninguém vai facilitar para eles, mas você tem de entender também que as pessoas 'engasgam'", disse o presidente dos EUA em referência ao autor dos disparos contra Blake.

 

"[Os policiais têm] segundos para tomar uma decisão. E se tomarem a decisão errada, podem morrer ou se meter em um grande problema. As pessoas têm de entender que eles [os policiais] 'engasgam'", repetiu o presidente.

O presidente usou a expressão "to choke" para se referir à ação. Ela é comum em torneios de golfe quando um jogador, sob pressão, erra a tacada. Trump já a havia usado nesta segunda-feira (31) em entrevista a rede de notícias Fox News.

Outra tradução possível para "to choke" é estrangulamento, segundo o dicionário oficial de terminologias da União Europeia. Essa segunda acepção da palavra despertou críticas do movimento antirracista por conta da morte de George Floyd, ex-segurança negro que morreu sufocado após uma abordagem policial. 

Apoiadores e opositores de Donald Trump aguardam visita do presidente dos EUA em Kenosha nesta terça (1º) — Foto: Leah Millis/Reuters

Apoiadores e opositores de Donald Trump aguardam visita do presidente dos EUA em Kenosha nesta terça (1º) — Foto: Leah Millis/Reuters

 

Visita a Kenosha

 

Em visita a Kenosha nesta tarde, Trump disse que excessos cometidos por policiais merecem investigação, mas insistiu que o Departamento de Justiça americano deve investigar a violência nas manifestações.

 

"Kenosha foi devastada por tumultos contra a polícia e contra os EUA. Não são atos de protestos pacíficos, mas de terrorismo doméstico", acusou Trump em visita a Kenosha.

 

O governo federal anunciou nesta terça uma ajuda de cerca de US$ 4 milhões a pequenos empresários de Kenosha, em Wisconsin. O republicano alega que o valor ajudará a "reconstruir a cidade", palco de protestos contra o racismo e a violência policial.

Ao chegar na cidade, a comitiva presidencial passou por manifestantes tanto a favor do presidente e das equipes policiais quanto por ativistas "Black Lives Matter" — Vidas Negras Importam —, que protestam contra o racismo nos EUA.

Apoiadores e opositores de Donald Trump se manifestam momentos antes de visita do presidente dos EUA a Kenosha nesta terça (1º) — Foto: Leah Millis/Reuters

Apoiadores e opositores de Donald Trump se manifestam momentos antes de visita do presidente dos EUA a Kenosha nesta terça (1º) — Foto: Leah Millis/Reuters

Trump disse, antes de embarcar, que as cenas de violência em Kenosha cessaram no momento em que a Guarda Nacional chegou a Wisconsin. Em entrevista coletiva, ele voltou a criticar a condução da crise por governos democratas — a oposição governa Kenosha e outras cidades como Portland e Minneapolis, outros cenários de protestos contra a brutalidade policial e contra o racismo.

 

"Acho que muitas pessoas estão vendo o que está acontecendo com essas cidades governadas por democratas, e estão enojadas", criticou Trump.

 

Biden acusa Trump de incentivar violência por parte dos seguidores dele
 
 
 
 
 
 

Biden acusa Trump de incentivar violência por parte dos seguidores dele

A declaração do republicano vai na linha das críticas que ele tem feito ao adversário na corrida presidencial, o democrata Joe Biden. Na segunda-feira, Trump acusou o opositor de ser permissivo com "baderneiros e vândalos".

Biden, porém, tenta se descolar da imagem de que apoiaria as cenas de depredação vistas em alguns protestos. O democrata, em seu primeiro compromisso oficial de campanha, acusou Trump de fomentar a violência e disse que "Vandalismo não é protesto". 

A visita tem significado na corrida à Casa Branca porque o estado de Wisconsin atribui 10 delegados no colégio eleitoral e costumava eleger candidatos do Partido Democrata — tanto o governador estadual quanto o prefeito de Kenosha são democratas, inclusive.

Porém, nas eleições de 2016, Trump venceu em Wisconsin com uma pequena margem sobre Hillary, vitória considerada essencial para o republicano ocupar a Casa Branca.

 

Caso Jacob Blake

 

Homem negro baleado nas costas por policiais nos EUA — Foto: Jornal Nacional

Homem negro baleado nas costas por policiais nos EUA — Foto: Jornal Nacional

Os protestos pelos EUA voltaram à tona quando Jacob Blake, um homem negro, foi baleado ao menos sete vezes pelas costas durante operação policial em Kenosha. Testemunhas disseram que ele estava desarmado e que os filhos dele assistiram à ação de dentro do carro. Relembre no VÍDEO abaixo.

Imagens inéditas mostram ação da polícia que alvejou Jacob Blake pelas costas
 
 
 
 
 
 
 
 

Imagens inéditas mostram ação da polícia que alvejou Jacob Blake pelas costas

Blake sobreviveu, mas, segundo a família, ele perdeu os movimentos da cintura para baixo. A Justiça de Wisconsin retirou a ordem de prisão que havia contra ele por suposta violência doméstica.

Kenosha, então, se converteu em outro centro de protestos contra o racismo e a violência policial nos EUA. Após atos pacíficos, na maioria, cenas de vandalismo — sobretudo à noite — voltaram a chamar atenção dos americanos, meses depois da onda de manifestações após a morte de George Floyd.

Por: G1

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